O Pescador que já correu mais de 33 maratonas

O Pescador que já correu mais de 33 maratonas

Joaquim Silva, também conhecido como “Quim da lota”, é, aos 63 anos, uma inspiração para qualquer corredor.
Viveu na praia desde os dez anos, e aos 32, depois de um grande susto, decidiu passar do mar para a terra, mas sem nunca abandonar a sua ligação com o mar.
O interesse pela corrida despertou ao ver dois dos seus colegas do mar a correrem diariamente. Um dia aproximou-se e perguntou a um deles o que é era preciso para começar a correr. A resposta tornou-se num desafio.
“- Compras uns ténis e deixas de fumar!
– Comprar uns ténis, ainda compro, agora deixar de fumar, não.
– Então deixa-te estar assim… “
Fumava 2 maços de tabaco por dia e sabia bem o mal que lhe fazia.
Passou a noite em branco a remoer sobre esta decisão. Apesar de saber que a corrida e o tabaco nunca seriam bons aliados, no dia seguinte lá foi comprar os seus primeiros ténis de corrida. Nunca se esquecerá que havia dois tipos de ténis, os Nike a 6.800$, que lhe levariam o seu subsidio de férias ou os Cross muito mais baratos.
“- Ó Quim, leva os Cross. Olha que tu não vais largar o tabaco!”
O mundo parecia conspirar contra ele, mas resolveu mostrar a todos que era mais forte. Comprou os Nike e deixou ficar na loja o seu último maço de tabaco.
”Troquei os cigarros pelos ténis!”
Começou por participar em provas mais pequenas, depois em meias maratonas, num instante passou para as maratonas e, por fim, no Ironman. Foram tantos os treinos que “os joelhos começaram a dar sinal de cansaço…”, até chegar a um ponto que teve mesmo de desacelerar. Por fim, fez mesmo uma pausa de 15 anos nas provas, mas sem nunca parar de treinar! A sua força de vontade e persistência levaram-no a conseguir curar esse problema. A 15 de Setembro de 2016, voltou a correr e a brilhar no triatlo longo que aconteceu na sua querida baía de Cascais.

quimdalota2Fotografia: Triatl3ta

Treina 5 a 6 horas todos os dias. Corre, nada e anda de bicicleta, independentemente do tempo, força do mar ou temperatura da água – por vezes está mesmo gelada. Adora chegar ao fim do dia e ligar o relógio ao computador para ver as voltas todas que deu durante o treino.
“Estou reformado e agora o meu emprego é treinar!”
Sempre teve o apoio da família e, a determinada altura, a mulher começou também a participar em provas chegando mesmo a ser campeã nacional de Duatlo durante três anos.
A sua alimentação é saudável, muito à base de peixe, mas não se priva de comer de vez em quando umas iguarias que sabe vir mais tarde a queimar nos seus treinos.
Trinta e três, maratonas todas em menos de 3h (2h32m na maratona de Sevilha), Joaquim tem como objectivo superar-se.
“Não sou nenhum craque!”
A história de que nunca se esquecerá passou-se num Ironman na Holanda.
“Ia lá ficando…”
Juntamente com os seus amigos e companheiros de corridas, Zé Filipe Lacerda e Mello e o Fernando Damas (também eles filhos de Cascais). Preparam-se fortemente para este desafio. Treinaram o dobro.
“Sentíamo-nos os homens mais fortes do mundo!”
Joaquim fez a prova em 12h 34m. No meio de um temporal, andou perdido no mar, esteve 2h20m dentro de água com o mar muito bravo e perigoso. Saiu do mar de gatas para se montar na bicicleta e pedalar durante 180 km. Caiu 3 vezes, mas não quis parar. Depois ainda correu os 42 km sempre debaixo de uma intempérie. A prova começou com 2000 participantes, mas só cerca de 200 chegaram ao fim. Os seus colegas, José Filipe e Fernando acabaram por desistir.
“Eles deviam-me ter agarrado e não me ter deixado seguir!”
Nos últimos 14 km, que acabou por percorrer contra o vento, deixou de sentir o braço e a perna. Sentia um dos olhos a piscar descontroladamente, mas seguiu caminho. Evitou a todo custo que se apercebessem do seu estado. Terminou a prova.
“Comecei a prova com 56 kg e acabei com 48.”
Quando chegou ao fim, duas senhoras pegaram nele e levaram-no para o chuveiro. Quando saiu, encontrou o seu querido amigo José Filipe que se emocionou ao vê-lo naquele estado e que pediu às senhoras para se afastarem dele porque como amigo e médico o acompanharia dali em diante.
“Ó Quim, se a tua família te visse agora morria de susto. Tu só estás vivo porque estás em pé porque se estivesses deitado estavas morto há 2 meses!”
Assustou-se com esta prova e decidiu fazer uma longa pausa, mas sem nunca parar de treinar. Correu o Triatlo de Cascais mas continua a sonhar com o seu objectivo…
“Não sei se é amanhã, se para o ano, ou daqui a uns anos, mas vou voltar a fazer um Ironman!”
A Run is a Gift, além de marca inspiracional para a corrida, é também Cascalense, e só tem a homenagear e a agradecer ao Quim da Lota. Por ser uma inspiração e nos ter contado a sua história de uma forma tão especial!
Parabéns “Grande” Quim e Obrigada!

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